an abstract photo of a curved building with a blue sky in the background

Projeto Educativo

Projeto Educativo

O Projeto Educativo é um documento que apresenta um conjunto de princípios com vista à organização do ambiente educativo, bem como, à participação ativa de toda a comunidade educativa.

Este projeto é um documento que valida a orientação educativa/pedagógica da instituição, por um período de 3 anos (2025/2028), no qual se exploram os princípios, os valores, as metas e as estratégias que a instituição se propõe cumprir durante a sua função educativa.

Caracterização da Instituição

O Centro Infantil da Altura é gerido pela Associação Cegonha Branca (I. P. S. S. – Instituição Particular de Solidariedade Social), que para além dos fins pedagógicos a que se propõe, pretende também apoiar as famílias das crianças que frequentam as valências de Creche e Pré-escolar. Esta instituição tem protocolo com o Centro Regional de Segurança Social e o Ministério da Educação. Conta ainda com o apoio da Junta de Freguesia de Altura e da Câmara Municipal de Castro Marim.

Está localizado na Urbanização Bela Praia em Altura, no Concelho de Castro Marim, mesmo ao lado do Centro de Saúde e do Centro Escolar.

A zona onde está integrado o Centro Infantil é calma, afastada de fontes de ruído intenso e com bons acessos, tanto para quem se desloca a pé, como para quem se desloca de carro.

O período de funcionamento do Centro Infantil é das 8h às 18h30.

Finalidades do Projeto

O Projeto Educativo é um documento orientador da prática pedagógica da instituição. Pretendemos estabelecer a conexão entre as Orientações Pedagógicas para a Creche e as Orientações Curriculares para o Pré-Escolar de forma a potencializar e fomentar “O brincar”, como impulsionador de aprendizagens que promovam o desenvolvimento global da criança.

Assim sendo, o nosso Projeto terá como base os quatro princípios educativos definidos nas mesmas:

  • Desenvolvimento e aprendizagem como vertentes indissociáveis – Cada criança tem uma identidade única e singular, tendo necessidades, interesses e capacidades próprias. Vive num meio cultural e familiar que deve ser reconhecido e valorizado.

  • Reconhecimento da criança como sujeito e agente do processo educativo – A criança é detentora de uma curiosidade natural para compreender e dar sentido ao mundo que a rodeia, sendo competente nas relações e interações que estabelece. Tem direito a ser escutada e as suas opiniões devem ser tidas em conta.

  • Exigência de resposta a todas as crianças – Todas as crianças têm direito a uma educação de qualidade em que as suas necessidades, interesses e capacidades são atendidos e valorizados. Todas as crianças participam na vida do grupo.

  • Construção articulada do saber - O desenvolvimento e a aprendizagem processam-se de forma holística. Brincar é um meio privilegiado de aprendizagem que leva ao desenvolvimento de competências transversais a todas as áreas do desenvolvimento e aprendizagem.

Metodologias Educativas

No próximo triénio (2025/2028), decidimos não privilegiar nenhum modelo pedagógico, privilegiamos sim o bem-estar, as necessidades e interesses da criança, assim como as rotinas diárias.

As metodologias a adotar, valorizam a criança como um ser único, com capacidades, competências, interesses e saberes que vão ser trabalhados, a fim de promover um desenvolvimento global harmonioso.

“A adoção de um ou mais modelos pedagógicos orientam e apoiam o educador, na prática educacional de Educação de Infância, dando liberdade ao educador de fazer o seu próprio programa de atividades”. (Oliveira, Formosinho, 2007, p.24)

A nossa prática pedagógica orienta-se por vários princípios orientadores das diferentes metodologias, indo ao encontro dos que achamos mais pertinentes perante as necessidades, interesses e competências que pretendemos alcançar com as crianças.

Tema do Projeto “Brincar, Aprender e Crescer”

Brincar é tão importante que foi reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1959, como um direito fundamental das crianças, e mais tarde, complementado na Convenção sobre os Direitos da Criança em 1989.

No entanto a sociedade tem observado um abrandamento progressivo nas oportunidades das crianças para brincarem nos seus primeiros anos de vida, dedicando grande parte do seu dia junto de “brinquedos” que oferecem à criança ações direcionadas que negam o pensamento criativo, a liberdade de escolha e de ações em que estejam implicados todos os sentidos. Estes brinquedos encontrados na digitalização e nos ecrãs impulsionam o desaparecimento dos espaços de brincadeira e do contato com a natureza, da partilha e do tempo em família e na criação de laços sociais entre os seus pares. Esta preocupação foi também sentida na nossa comunidade educativa e foi o mote para a escolha do tema do nosso Projeto Educativo.

Este projeto, sob o tema “Brincar, Aprender e Crescer”, desenvolver-se-á ao longo do triénio 2025/2028, subdividindo-se em três temas fundamentais:

  • Brincar como os nossos avós:

O brincar é essencial ao desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social das crianças. Através do brincar, criam, imaginam e constroem relações sociais. Brincar parece algo muito simples, algo natural para qualquer criança. Segundo Mariana S. Lucas, neuropsicóloga: “Na verdade aquilo que parece ser tão simples não deixa de ser um conjunto de comportamentos complexos, que nos abre portas infinitas de aprendizagem, de forma muito espontânea e nem sempre consciente mas que nos permite preparar para a vida.” Todas as crianças deveriam saber brincar, mas nem sempre lhes são proporcionados ambientes para que se desenvolva a brincadeira propriamente dita e esta ocorra de forma saudável. Brincar é aprender, este aprender é desenvolvido desde muito cedo na interação consigo e com o meio que o rodeia.

Segundo Carlos Neto; “ O brincar não se ensina, mas a brincar a criança aprende,” Para além da interação, ao brincar a criança procura diversão, liberdade de imaginar e fantasiar, a autonomia e o desenvolvimento de competências motoras, cognitivas, emocionais e sociais. As crianças não diferenciam o brincar do aprender. Elas aprendem porque se entusiasmam e divertem-se através do prazer, processo inato que autodetermina a aprendizagem. Através da exploração sensorial, motora, percetiva, cognitiva e social.

Objetivos:
  1. Desenvolver habilidades cognitivas, motoras e sócio-emocionais;

  2. Brincar impulsiona o desenvolvimento do cérebro, melhora as funções executivas e a capacidade de resolver problemas;

  3. Aprender a interagir, comunicar, partilhar, gerir emoções e resolução de conflitos;

  4. Descobrir e interagir com o meio envolvente;

  5. Estimular a imaginação, o faz de conta e a criatividade;

  6. Promover o bem-estar emocional;

  • Histórias, canções e lengalengas contadas de boca em boca, de pais para filhos e de avós para netos:

As histórias, canções e lengalengas são cruciais para o desenvolvimento social, intelectual, emocional, pois enriquecem a linguagem, promovem a consciência fonológica, as habilidades cognitivas (memória e concentração) e são ferramentas essenciais par a expressão cultural e construção da identidade. Promovem a comunicação oral, o raciocínio e a interação entre pares de forma lúdica e divertida.

Além disso, fortalecem os laços afetivos entre relações intergeracionais e potenciam uma ligação com a cultura popular, tornando a aprendizagem uma experiência divertida.

O contato precoce com as histórias é fundamental para o desenvolvimento da literacia e do sucesso académico futuro.

Ouvir histórias, lengalengas, rimas, poemas,…trás benefícios, fortalece as conexões neuronais de base ao desenvolvimento da linguagem e da literacia. Desde os primeiros meses, ler em voz alta ajuda a desenvolver a audição, a reconhecer a voz dos cuidadores, a ouvir novo vocabulário, a desenvolver a atenção e criar vínculos.

Iniciar desde cedo hábitos de leitura é importante. O contato com os livros permite criar gosto pelos mesmos e aprender como funcionam. Compartilhar livros fortalece o relacionamento entre pais/filhos e avós e são estes momentos que representam um momento de interação e convívio familiar.

Objetivos:

  1. Enriquecer o vocabulário e desenvolver a consciência fonológica através da repetição e do ritmo;

  2. Estimular a memória, a concentração e a criatividade;

  3. Desenvolver a coordenação motora;

  4. Promover a capacidade de expressão e comunicação;

  5. Criar laços afetivos e competências de integração em grupo;

  6. Promover a expressão de emoções e o desenvolvimento do autoconhecimento;

  7. Transmitir conhecimentos e valores de geração para geração, ajudando a construir identidades culturais e um sentimento de pertença;

  8. Desenvolver o carácter social e intelectual da criança;

  9. Transmitir à criança a cultura popular e a tradição oral;

  • Aprender a criar memórias:

As crianças dotadas de uma grande curiosidade e vontade de aprender são exploradoras natas sobre o mundo que as rodeia. Neste contexto, as memórias têm a importante função de resguardar a trajetória dos nossos antepassados e do nosso próprio caminho pela vida. As crianças vão assimilando as informações de leitura, escrita, música, desenho, comportamentos cognitivos. Profundamente ligadas com os aspetos emocionais, as memórias podem trazer emoções, permitindo que a criança aprenda a lidar com diferentes sentimentos. As memórias são experiências positivas, ricas em afeto que marcam a vida e são capazes de despertar reações e sentimentos. Estas memórias proporcionam prazer e fortalecem o vínculo familiar, influenciando positivamente o desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças.

Aprender a criar memórias ajuda a criança a dar sentido às experiências, compreender o mundo e construir a sua história de forma efetiva e significativa.

Objetivos:

  1. Desenvolver a capacidade das crianças de compreender, registar e construir memórias pessoais e coletivas como forma de aprendizagem, identidade e expressão;

  2. Reconhecer a importância das memórias na construção da identidade;

  3. Desenvolver habilidades de narrativa oral a partir de lembranças;

  4. Promover a empatia e o respeito às memórias do outro;

  • Articulação Jardim de Infância/ Família/ Comunidade

A primeira abordagem entre o jardim de infância e a família é no momento da inscrição. Os pais são convidados a conhecer as instalações da instituição e toda a sua dinâmica de funcionamento. Após a admissão é dado a conhecer o regulamento interno e é assinado o contrato de prestação de serviços, constando os direitos e deveres de ambas as partes. Iniciamos uma relação de parceria, individual e coletiva com as famílias que constituirá a base de uma comunicação e colaboração a serem continuadas e aprofundadas, ao longo do tempo que a criança frequenta o centro Infantil.

“A relação que o educador estabelece com cada família centra-se na criança e tem em conta que são, ambos, coeducadores da mesma criança. Esta relação assenta numa comunicação que se realiza através de trocas de informação em momentos informais ou em momentos planeados. Estes constituem ocasiões para conhecer as famílias, as suas necessidades e expetativas educativas, ouvir as suas opiniões e sugestões, incentivar a sua participação, e ainda, para combinar as formas de participação que melhor correspondem à sua disponibilidade.

A avaliação que o educador realiza do processo desenvolvido por cada criança e dos seus progressos torna-se um recurso fundamental nessa comunicação.”(Ministério da Educação, 2016, p. 28)

A colaboração dos pais/família, e também de outros membros da comunidade, o contributo dos seus saberes e competências para o trabalho educativo a desenvolver com as crianças é um meio de alargar e enriquecer as situações de aprendizagem. O educador, ao dar a conhecer aos pais/família e a outros membros da comunidade, o processo e os produtos realizados pelas crianças, favorece um clima de comunicação de troca e procura de saberes entre crianças e adultos.

As relações e interações que se estabelecem entre os diferentes intervenientes do processo educativo são essenciais para o desenvolvimento desse processo.

O ambiente educativo proporciona múltiplas formas de relações recíprocas, que se enumeram, dado o papel que o educador desempenha na promoção dessas relações e no aproveitamento das suas potencialidades, para a educação das crianças e para o seu desenvolvimento profissional.

O Projeto Educativo permite analisar e controlar sistematicamente os resultados obtidos, sendo um documento que constitui uma ferramenta de trabalho, em construção e permanente análise. O Projeto que aqui foi apresentado pretende abranger e motivar toda a comunidade educativa, envolvendo-os no processo ensino-aprendizagem, por forma a beneficiar as crianças.